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SALÁRIOS UMA QUESTÃO FINANCEIRA OU ECONÔMICA?

Ao mesmo tempo, o país, por suas dimensões continentais, tem crescido uma média 2% ao ano e isso significa: “Índice de Crescimento do Brasil”, portanto um índice que deveria ser acrescido ao salário...

MAI2014 - Especialmente nesta Convenção Coletiva de Trabalho do setor de Hotelaria, Bares e Restaurantes, surge a seguinte questão: “nos jogos, o turismo em Foz do Iguaçu deve aumentar em muito a quantidade de turistas, então, qual a relação deste aumento de hospedes com a correspondência salarial, onde a pessoa terá que se desdobrar para manter o atendimento?”.

Em resposta a isso, os representantes dos empresários de hotéis, questionam se realmente haverá toda esta visitação em Foz do Iguaçu? Um fato constatado é que nas grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Fortaleza, enfim, cidades onde haverá os jogos e existe grande concentração de pessoas, mas, também grandes os riscos de manifestações políticas, além da insegurança pessoal. Nestas cidades, várias reservas foram canceladas. Isso é verdade! Além das propagandas da realidade brasileira, dos vandalismos, que estão sendo divulgadas no exterior.

Assim, existem duas situações, uma, destas cidades prejudicadas pelos ‘movimentos políticos partidários’, outra, das cidades onde não existe o mesmo patamar de ‘periculosidade’. O que se supõem seja o caso de Foz do Iguaçu. Na verdade se prevê que muitos dos turistas que cancelaram reservas nestas grandes cidades, eles acabem vindo para Foz do Iguaçu. Se não pela Copa, que pode ser vista pelos telões, pelos atrativos naturais da região.

Daria para se colocar a questão de outra forma: “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”. Se os hotéis de Foz, se eles repassarem um bom aumento (...) e não houver um número desejável de turistas, entrarão em crise?, entretanto se o número de turistas for maior do que o esperado (...), os trabalhadores estarão em apuros? De qualquer forma, a maneira de se calcular o salário em função da visitação é instável, para ambos os lados, especialmente, em se considerando ‘um’ período de ‘festas’ & movimentos sociais.

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O que é consagrado pela mídia, Itaipu e Trade Turístico, são as visitações ao ano, que atinge quase 1.5 milhão de turistas (visitação ao Parque Nacional e não ao comprismo). Se cada um deixar a quantia de R$500 reais, isso significa R$750 milhões ao ano (1), que chegam à região das Cataratas. Isso, independente dos jogos, significa um bom recurso para o Trade Turístico e todos os impostos, do município, estado e federação. Da forma eufórica como é anunciado esta visitação de turistas, invariavelmente escamoteando valores, com certeza, este recurso é bem distribuído entre a iniciativa privada e os governos.

Outro fato é que o dinheiro que vai para ‘os governos’, quem decide o quanto e como, é o próprio governo; o dinheiro que chega à iniciativa privada, também esta sob seu controle, ou seja; aumentar o valor da estadia ou não, depende exclusivamente (ou não) de um acordo entre a hotelaria regional [de um mesmo padrão, etc.].

Temos outro caso, em Foz do Iguaçu, de outro tipo de hotelaria, que neste momento em que o exército ocupa a ponte da Amizade por causa dos ‘jogos’, este setor da hotelaria está em crise. Os compristas diminuíram substancialmente. Bem, a comparação entre este tipo de hotelaria e a hotelaria de turismo é a mesma comparação entre a Montadora de Ford e a Oficina do Jair no Morumbi, sem desmerecê-la obviamente! Até ouso afirmar que este modelo de hotelaria sujeita aos ‘compristas’, devesse ser assegurada, para garantir empregos, até como forma de ressarcimento daquilo que não participa no bolo da ‘visitação de 01 milhão e meio de turistas’.

Entretanto, ao contrário, não só, esta ‘oficina de hotelaria’, não é assegurada, portanto esta sujeita à crise e até o fechamento do estabelecimento, como é usada, de forma inapropriada, pela argumentação do Sindicato Patronal, para reduzir ou manter em padrões mínimos os salários de toda a categoria. O que evidentemente, este mesmo argumento, não acontece na área industrial entre uma Ford e uma Oficina de bairro, isto é inconcebível, por que há normas diferenciadas para estes casos.
Outro argumento, mais plausível, diz respeito ao ‘salário nacional da categoria’, onde o setor de Hotelaria de Foz do Iguaçu sai na frente, com um salário base, em período de convenção, de R$915, para 2013/14, com relação a outras regiões, ‘mais importantes’, todavia mais perigosas e populosas.

Se nos observamos o caráter da hotelaria, sem considerar a decadência humana na maioria das principais cidades, São Paulo, apesar da grande qualidade dos hotéis, os hospedes não são turistas, são negociantes; de outra forma, no Rio de Janeiro, que também tem o hóspede de negócios que se divide com os turistas, tem o ambiente litorâneo, a orla marítima e o ambiente noturno que substituem naturalmente e aventureiramente, a atenção especial que é dada ao turista em Foz do Iguaçu. No Rio o turista sabe exatamente o que vai fazer em Foz, o turista esta dependente do turismo e de seus agentes, desde um garçom, um guia ou motorista.

Ainda com relação ao ‘salário nacional’ da categoria da hotelaria e similares, há uma defasagem, para toda a categoria, que vem desde antes da ‘Globalização’, que alavanca o setor de Serviços. Quando, antes da globalização, o turismo não tinha sequer uma regular representação no PIB. Hoje o PIB do setor de serviços é significativo, atingindo a marca de 60%. Ao mesmo tempo, o país, por suas dimensões continentais, tem crescido uma média 2% ao ano e isso significa: “Índice de Crescimento do Brasil”, portanto um índice que deveria ser acrescido ao salário (retroativo), assim como o Índice Nacional de Preços, que ‘corrige’. Isso seria o mínimo, sem afetar de forma alguma, a relação salário x inflação. De outra forma, neste caso de crescimento anual da economia, a própria lei da oferta e da procura é indexada de acordo com o padrão de desenvolvimento nacional e sai da argumentação oportunista e aventureira da ‘liberdade de mercado’ em um país controlado pelo Estado, cada vez mais, o que é flagrantemente contraditório ao mercado livre de auto-ajuste.


(01)São Paulo deve receber 390 mil turistas no período da Copa do Mundo
Camila Maciel - Agência Brasil14.05.2014 - 09h14 | Atualizado em 14.05.2014 - 12h31
São Paulo deve receber 390,7 mil turistas durante a Copa do Mundo, aponta levantamento do Ministério do Turismo (MTur), divulgado hoje (14). A abertura do mundial será no dia 12 de junho, na capital paulista. A estimativa é que, no período, esses visitantes deixem no país (Cidade de São Paulo) R$ 706,5 milhões. A pesquisa revela que estarão em trânsito no Brasil, no período dos jogos, 3,7 milhões de pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, que vão gerar R$ 6,7 bilhões em divisas.
Foz recebe 1.5 milhões de turistas ao ano. Isso é divulgado amplamente. Bem, segundo os cálculos acima, Foz deve receber ao ano R$1.8 bilhão.
http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2014/05/sao-paulo-deve-receber-390-mil-turistas-no-periodo-da-copa-do-mundo-aponta


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