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O TABÚ DOS 05 DÍGITOS

O TABÚ DOS 05 DÍGITOS
Escrito por Luiz Carlos Lucasy – 18 de julho 2014
Artigos – Sindicais

Nesta Convenção Coletiva de 2014, do Sindicato de Trabalhadores de Hotéis e similares de Foz do Iguaçu, aconteceu algo inédito, quando os empresários em uma atitude culturalmente ‘natural’ e sem outras intenções; eles, os empresários, fizeram a seguinte declaração: “o salário base da categoria não pode chegar a 06 dígitos”. Bem, o salário base da categoria em Foz do Iguaçu (até mai2014) estava em R$915 Os empresários em Foz do Iguaçu queriam que o aumento (da data base da categoria: maio) fosse no máximo: R$930, para igualar às principais cidades do país onde o turismo é significativo, ao menos Curitiba; considerando que R$930 é o que é pago hoje (jul2014), nestes locais.

Em Foz do Iguaçu, onde o salário base já estava em R$915, não podia repassar R$15 de aumento! (o que daria 1,7% de aumento, para um INPC de 5,6%), mesmo porque, aplicando o INPC sobre R$915 daria R$970. Então, em Foz, os empresários estipularam um teto máximo (primeiro R$930, uma impossibilidade) de R$980. O Sindicato (em assembleia) pedia um salário de pelo menos R$1.050. Em uma das reuniões com o ‘patronal’, ficou claro que, o empresariado de Foz da rede hoteleira, não aceitaria em hipótese alguma que se chegasse a 06 dígitos! Então, após uma semana, quando os empresários se reuniram para tomar uma decisão, chegaram ao limite máximo de R$995. Faltaram R$5 reais para atingir os seis dígitos! Claro que isso teve mais um efeito simbólico que econômico (?).

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O que é o simbólico e o que é tabu? Vejamos, o salário mínimo no Brasil determinado pelo Estado (econômico) é de R$724. Esta ‘determinação’ do Estado (inclua-se CUT e Congresso) tem um resultado que não fica claro às pessoas. Primeiro, porque 1/3 (um terço) deste valor de R$724, portanto R$242, são impostos. Então, o salário recebido pelo trabalhador e também pago pelo trabalhador e empresário, fica em torno de R$965,30, esta cálculo serve para todos os salários, em todo o território nacional. Com este salário proposto pelo Estado (intervencionista do mercado) estamos nos 05 dígitos, este é o tabu! Segundo, porque na maioria das categorias (empresas legais, privadas), não se paga um salário; paga-se um pouco mais (1/2 meio salário a mais), quando o salário chega a R$986 (tabu dos 05 dígitos dos empresários, é derrubado), e a proporção de 1/3 em impostos permanece incólume e neste caso, ultrapassa os 05 dígitos: para um salário pago ao trabalhador de R$986 e R$328 em impostos, isso significa um salário de R$1,314, Portanto, dizer, que não pode chegar a seis dígitos é simbólico, pois com um salário e meio de 05 dígitos, na verdade já se paga 06 dígitos.

Porque a argumentação dos “06 dígitos” dos empresários é insustentável? Pois bem, seja como for, este valor de 1/3, pago a título de impostos, este valor existe é concreto, alguém paga! A questão é saber com precisão ‘Pitagórica’ e Aristotélica quem paga? E de que forma isso, este ‘pagamento’ é apresentado: o ‘trabalhador é quem paga?, o empresário é quem paga?, ou ambos! Primeiro, se partirmos do princípio de que um salário médio de R$1.314 (R$330 semanal) é um salário aceitável e possível de cumprir as demandas óbvias de despesas (e segurança) ao mês então, este é o salário real e quem paga o imposto é a pessoa que trabalha. Então, o empresário passa como “cobrador de impostos do Estado” sobre cada prestação de serviço. E isso explica ‘uma certa’ afinidade ou cumplicidade entre alguns empresários e governo, afinal se esta situação, de o trabalhador ter que pagar 1/3 do valor do seu salário em impostos, e por isso vive em agonia, se esta situação, ficasse clara ao trabalhador, a demanda por integridade salarial não seria contra o empresário, mas contra o governo administrador do tesouro (nacional).

Segundo, se os impostos pagos, diariamente nos mercados, bares, lojas, farmácias, aluguéis, tabaco, bebidas, transporte etc., se estes impostos, que chegam a 70% (e alguns a 200%!) sobre o valor do produto, não são o suficiente para manter a ‘máquina deste modelo de governo’, então, ele o sistema capitalista, manipulado por estes governantes (de vinculação descaradamente socialista – comunista), é completamente inviável! Há um desgoverno! Considerando, que a solução no socialismo é o alargamento da miséria! Como já foi dito: “se os comunistas tomarem as areias do deserto, certamente haverá racionamento de areia!”. E isso é elementar! Conforme declarou a presidente Dilma, em campanha eleitoral, quando disse que 70% da população atingiu o patamar de classe média, na verdade 40% da população ativa retroagiram ao patamar da miséria. Ironicamente, o dinheiro, tirado a pessoa que trabalha honestamente, e em nome de sua segurança, serve para alimentar todo o aparato político nacional e em função desta ‘anormalidade institucional’ de mudança, de transformação, que privilegia os “atores do estado” (filhos do Lula, filhos da Dilma, prisioneiros da Papuda, 07 anões etc.), recebemos como prêmio (o povo que trabalha dignamente) um ‘igualitarismo’ ao modelo cubano, venezuelano, ao modelo de Gana, Senegal e Oriente Médio, etc. Só faltam as ‘guerras genocidas’!

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Dito isto, para quem acha que Sindicato que atua na iniciativa privada é dispensável e acredita ter razão em dizer isso; fala levianamente (devia dizer isso ao ‘corporativismo de Estado’), ao menos nesta conjuntura que vive o país, porque não sabe a dimensão do problema da produção capitalista, do empresário da iniciativa privada, em uma Nação onde o que se prioriza – em todos os sentidos materiais – é o Estado! (uma construção de um porto em Cuba, médicos cubanos, imigrantes ilegais, cadeira na ONU, Petrobrás, Foro de São Paulo, etc.). E isso, quer dizer, que tudo que for contra o Estado, que seja um simples aumento de salário, e que isso possa criar apertos com relação à arrecadação de impostos e aparecer o real “cobrador de impostos”, que é o Estado (o famigerado Sheriff of Nottingham), então, qualquer ameaça, de se chegar ao verdadeiro – e único – responsável pela crise econômica da família que trabalha honestamente, então, ‘esta ameaça’, tem que ser debelada, custe o que custar! Recentemente o alcaguete (Lula), deixou isso claro quando disse: “Ninguém pode reclamar dos impostos, se não, como vamos manter o Estado!”. Certamente não desestimulando a iniciativa privada, a livre iniciativa e a liberdade! Ou tudo se resume na iniciativa do Estado! Portanto, um Estado Totalitário!

Quando o Sindicato que atua na iniciativa privada, faz este papel de ameaçar as ‘instituições pró-socialistas e anti-capitalistas, pedindo aumento de salário e mais benefícios, isso modifica a estrutura de arrecadação de impostos e aproxima à realidade do que acontece no Estado, da realidade do que é este Estado! Explico a seguir!, e então, o sindicato na representação dos trabalhadores é ameaçado e desmoralizado, nas universidades, na imprensa etc.!, quando fazem isso, desmoralizam aqueles que reivindicam aumento, porque o aumento de salário significa aparentemente, uma recuperação (inconsciente) daquilo que é pago pelo indivíduo, em impostos no salário todo mês. Infelizmente as pessoas que trabalham e ganham sua vida honestamente, ‘compram esta ideia’, de ataque ao sindicato e assumem a ‘posição’ do explorador maior da Nação: O Estado! Interventor na economia!

O Estado, os funcionários públicos (sindicatos estatais) pagam uma enormidade de impostos e em função disso, apelam a uma razão oportunista quando então, se consideram prejudicados, contudo, este ‘imposto’, que nos é apresentado como um imposto ‘alto’, ‘grande’ (óhh, coitado!), ele, o imposto é incluído no salário, portanto é um “toma lá, dá cá”, para ‘inglês vêr’. De outra forma, vendo por outro ângulo, neste caso do funcionalismo e os impostos pagos pelo salário dêles, fica claro e evidente que os ‘salários de todos pagam impostos’, com a diferença de que os impostos pagos pelos funcionários públicos, estes valores são acrescidos aos salários (com o nosso imposto). Recentemente circulou na Internet um holerite de um ‘Requer Social’ (funcionários dos partidos de esquerda), onde constava a bagatela de R$7 mil reais. Ora, que R$4 mil fossem impostos, ainda estaria sendo bem pago!

Voltando. Mas como o Estado faz isso? Faz-nos crer que ele, O Estado é o Senhor absoluto da Razão? Primeiro, ele, O Estado socialista de todos os partidos, cria as mesmas organizações que existe no capitalismo; como são os Sindicatos do Estado e dá a elas, a estas organizações do Estado, total liberdade e não só isso, as incita a pedirem aumentos, benefícios, greve geral etc. Isso as coloca, às instituições do Estado, como ‘aliadas’ da ‘luta dos trabalhadores’ e dos seus sindicatos originais, que atuam na iniciativa privada! E se não os coloca como aliados, os induz ao mesmo modelo de procedimento: greves, manifestações, greve geral, ódio patronal, etc., argumentos obviamente comunistas! “E cujos efeitos, das manifestações, greves etc., geralmente, são proporcionalmente muito mais favoráveis ao poder político [revolucionário (de mudança, transformação etc.)], que aos interesses, dos ‘trabalhadores’ da iniciativa privada nos diversos municípios brasileiros!”, além de conspurcar as relações de trabalho.

Segundo, no caso brasileiro, o sindicato do Estado se aliou fortemente ao sindicato (privado) das montadoras de automóveis (onde se paga bons salários pela exigência do modelo de produção) e lá, e como fruto desta união, criaram as Centrais Sindicais, que é um braço do governo, e para consagrar politicamente o domínio do Estado, o domínio do Governo pró-socialista.

Mas o domínio sobre o quê? Primeiro, o domínio de poder falar sobre Legislação Trabalhista. Segundo, o domínio moral sobre todos os sindicatos, por bem, ou por imposição do Ministério do Trabalho e Justiça do Trabalho; desta forma os Sindicatos que atuam na iniciativa privada (não do Estado) ficaram como apêndices do governo! Terceiro, o sindicato do Estado (milhares, em um só – o corporativismo), aliado então, ao mais emblemático dos sindicatos do ABC, aliado também às principais centrais sindicais (que afiliam os sindicatos estatais), então conquistam o poder político e econômico. Há quase 12 anos o PT esta no poder, o sindicalismo aliado ao PT conquistou várias cadeiras no parlamento estadual, nacional e o número de assessores de vereadores, deputados e prefeitos extrapola a noção da realidade e da razão! E a cada dia se acentua mais e mais a intervenção do Estado, desta feita, sob as orientações da ONU! O Novo Sindicato de representação do poder Estatal contra os modos de produção capitalista e consequentemente contra o livre arbítrio, onde o Estado, a ONU, vai dizer como se deve viver!, comendo gafanhotos e outro quitutes! Bom appétit, Monsieur!



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