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COMO PENSAR O SINDICATO - TRADE UNION.

Age como um ‘camaleão’ que muda de cor para estar sempre camuflado, do ataque inimigo.

Falam muita coisa sobre Sindicato! Generaliza-se sem saber, quais são as diferenças fundamentais entre os sindicatos, tanto os sindicatos do Estado (ligados às estatais) e sindicatos privados (ligados à iniciativa privada) e os sindicatos Rurais. E ainda, desconsideram as diversas regiões, as mais próximas dos grandes centros, as mais distantes etc., onde nas primeiras, acontecem palestras, reuniões, informativos e nas segundas onde, raramente isso é feito.

...Além das diversas categorias que são diferentes e nestas categorias as diferenças ‘empresariais’; como por exemplo, a diferença entre um hotel ‘cinco estrelas’ e um pequeno restaurante ou a diferença entre uma montadora da Ford e uma metalúrgica de bairro. Esta generalização os nivela, aos sindicatos, como se eles fossem iguais e agissem da mesma forma e tivessem os mesmos recursos e o mesmo apoio ou desapoio da categoria. E isso é completamente enganoso. Por que a referência principal, mesmo porque, é sempre quem esta em evidencia, que a mídia apoia e divulga é a referência dos sindicatos do Estado (e empresas mistas) e esta é a pior referência possível, às pessoas que trabalham na iniciativa privada.

Convém falar um pouco disso. Ora, quais as principais características dos sindicatos do estado e das empresas mistas?, primeiro os salários e benefícios dos funcionários públicos, que são conseguidos não pelo sindicato, mas, também pelo sindicato e o corporativismo estatal. Segundo são funcionários indispensáveis, no sentido de que não podem ser demitidos, exceto por casos escabrosos. Terceiro, o dinheiro para pagar estes funcionários é o dinheiro dos impostos e não o dinheiro, do capital de risco, investido (no caso brasileiro). Ou seja, um capital que tem limite, ao contrário do ‘capital’ do estado.

As diferenças propriamente ‘sindicais’, no sindicato do estado, eles, os sindicatos do estado, estão intimamente ligados ao governo de plantão e aos partidos da base aliada deste governo, ou outro governo. Age como um ‘camaleão’ que muda de cor para estar sempre camuflado, do ataque inimigo. E isso sim é uma generalização, na condição de subsistência deste modelo de sindicato onde o patrão único é o governo, que por sua vez necessita de uma convivência ‘pacífica’ entre o sindicato do estado e o governo. Existem muitos outros exemplos ainda, especialmente sobre o caráter das ‘pessoas’ que administram estes sindicatos, entretanto, isto é assunto para outro momento.

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Para entender materialmente o que seja um sindicato, e isso, sem entrarmos no mérito do grupo de pessoas que atuam no sindicato, primeiro, é preciso dividi-lo entre o sindicato do Estado, e o Sindicato que atua junto à iniciativa privada. Isto feito, então, define-se o modo de produção: metalúrgico, comércio, hotelaria, campo etc. Então, a região em que esta o sindicato, o modelo de governo estadual, municipal, etc.

Seguindo este curso mundano, nós ficamos na dependência, das vontades individuais, segundo aquilo que estas pessoas entendem o que deva ser feito da instituição sindical e por que. E estas vontades variam de acordo com diversos fatores pessoais e até da importância da categoria e da região, por exemplo, o sindicalista do ABC, Vicentinho, tem muito mais influência e poder que o sindicalista de Quixeramobim, que sequer é conhecido! E por isso Vicentinho é melhor que o outro sindicalista? Não!

Vicentinho, como deputado da bancada sindicalista, acabou de propor uma lei que impede a importação de livros estrangeiros (nos órgãos do estado, mas isso é um germe lançado)! Isso em si, é um absurdo! O que nos leva a concluir que a importância da pessoa não esta no glamour que ela faz de si própria, com o apoio da mídia paga, mas nas suas ações do cotidiano. E neste caso Vicentinho ‘é uma besta féra’. Mas, nós não sabemos o que faz ou deixa de fazer o sindicalista de Quixeramobim!

No passado, especialmente antes do século 19 (quando se criou sistemas de publicidade etc.), uma mensagem Papal levava anos para chegar aos locais mais distantes. Havia Bispos que por toda vida, haviam recebido apenas duas mensagens e não mais. Então, em que ele, o Bispo distante e todos os outros Bispos e Padres se baseavam? Um texto cristão nos diz:

“Existe naturalmente em todo homem o desejo de conhecer” (TOMÁS DE AQUINO. Comentário à Metafísica. I, I, 1). Ora, não desejamos conhecer qualquer coisa, senão que “(...) naturalmente desejamos conhecer a verdade, e fugimos de ser enganados pelo falso” (Idem.Suma Contra os Gentios. I, LXI, 7)”.

Bem, mas como nos pautar nas ações do cotidiano quando elas são tão variáveis?, depende do Sindicato, depende da Região, depende do partido político etc. Por este caminho, não há solução. Então nos cabe, entre tantos, distinguir aquilo que nos representa ou procura nos representar e damos as costas. É preciso adquirir conhecimento!

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Voltando ao início do texto, quando dizíamos sobre as coisas que falam do sindicato, claro que não falam bem! Considerando o que foi dito até agora o que se pode notar é uma ‘luta’ entre dois tipos de sindicato. Vejamos, um modelo de sindicato vive daquilo que proprietário consegue ganhar no dia de trabalho, o outro sindicato vive de parte significante do dinheiro que este proprietário ganhou. Lembrando que v. é um empregado e vive do salário que o empresário lhe paga em troca do trabalho que v. executa diariamente.

A função original de um Trade Union (Sindicato), Trade Union quer dizer Sindicato. A função original do sindicato é defender o trabalhador e também a empresa, o sistema de produção, para que continue existindo o emprego e aumente o número de empregados. O Trade Union originariamente são sindicatos voltados à iniciativa privada e não ao Estado.

Com o tempo a ideia do Trade Union foi se desvanecendo e o sindicato ‘moderno’ passou a competir, em termos de salário, com o sindicato do estado, que esta sempre em plena vantagem e isso não quer dizer que não sofra derrotas. Especialmente no caso das empresas mistas ou assemelhadas, ou ainda, aquelas empresas, que existem em função do Estado, como são os Bancos, onde os bancários sofreram uma derrota e foram substituídos por caixas eletrônicos, mas também casas lotéricas, farmácias e mercados. Ou seja, colocaram ‘panos quentes’, no fim da profissão de caixa de banco, envolvendo a iniciativa privada.

Bem, o que fez com que o sindicato privado mudasse seu modo de ver o sindicalismo?, o que fez com que o sindicato privado, fosse desmoralizado frente à categoria pelo aprisionamento do salário?, ora, tornou-se enfadonho estes aumentos anuais dirigidos especialmente pelos números, que nos dão as agências controladas pelo governo; o INPC e etc.

Se o salário é induzido e controlado pelo governo, obviamente o sindicato privado também o será, não só pelos ‘exemplos distorcidos’ do sindicalismo de estado, mas principalmente por uma campanha silenciosa, empreendida pelo próprio governo e mídia, de desmoralização do sindicalismo privado e ainda a infiltração de falsos sindicalistas nas diversas categorias e falsas instituições, como por exemplo, as Centrais Sindicais, que nada mais são que braços políticos do governo e não dos trabalhadores. Elas visam mudanças políticas e que agridem diretamente o capitalismo e o sistema de produção.


Bem, paramos por aqui. Esperamos que com isso, as pessoas que trabalham para a iniciativa privada passem a ver o sindicato com os seus olhos e não os olhos e ouvidos de outros, que podem facilmente, estarem a serviço de forças inimigas não só do sindicato como daqueles que nos propiciam uma ocupação remunerada.


____Luiz C.S. Lucasy****


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